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As dificuldades alimentares na infância constituem um fenómeno complexo, sensível e profundamente multifatorial, resultando da interação entre fatores neurológicos, anatómicos, genéticos, respiratórios, gastrointestinais, sensoriais, comportamentais e emocionais. Estas perturbações não dizem apenas respeito à ingestão de alimentos: influenciam o desenvolvimento global da criança, a sua relação com o corpo e com a experiência de comer, bem como a dinâmica familiar que se constrói diariamente à mesa.
Ao longo dos primeiros anos de vida, a alimentação envolve um conjunto de competências em rápida evolução — desde os padrões iniciais de sucção, passando pela transição para a alimentação à colher e ao copo, até ao desenvolvimento da mastigação e à aceitação de diferentes texturas, consistências, sabores e temperaturas. Qualquer desafio neste percurso pode originar dificuldades significativas, manifestando-se sob a forma de recusa alimentar, seletividade persistente, dificuldades mecânicas ou comportamentos de evitamento. Estas situações geram frequentemente ansiedade tanto na criança como nos cuidadores, podendo comprometer o bem-estar emocional e as rotinas familiares.
Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento expressivo dos quadros de restrição e seletividade alimentar, reforçando a importância de uma abordagem mais informada, preventiva e integrada. A evidência científica mostra que uma avaliação abrangente — que considere a função oral, a integração sensorial, o historial clínico, o desenvolvimento global e o contexto relacional — é essencial para compreender a origem das dificuldades e orientar intervenções eficazes.
Perante esta complexidade, torna-se fundamental que os Terapeutas da Fala disponham de conhecimentos especializados e de uma visão multidisciplinar que permita intervir de forma sensível, individualizada e ajustada às necessidades de cada criança e família. Só assim é possível promover experiências alimentares mais seguras, positivas e reguladas, contribuindo para um desenvolvimento harmonioso e para o restabelecimento do equilíbrio na dinâmica familiar.
É neste enquadramento que surge este curso, concebido para oferecer aos Terapeutas da Fala uma formação completa e integrada sobre dificuldades e seletividade alimentar na infância, proporcionando os conhecimentos teóricos, práticos e relacionais necessários para avaliar, compreender e intervir de forma eficaz nestes desafios tão presentes na prática clínica.
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